O mundo, para mim, terminava exatamente onde a corrente de ferro esticava. Um metro e meio de terra seca, que virava um pesadelo de lama fina e gelada toda vez que chovia. O elo de metal era tão pesado que meu pescoço estava sempre curvado, e a carne viva ali latejava em sincronia com as batidas do meu coração.
Naquela noite de tempestade, eu me encolhi no meu canto de sempre, tremendo, esperando o escuro passar. Quando o portão rangeu, meu corpo inteiro paralisou. Passos pesados se aproximavam. Fechei os olhos.
Mas a mão que se aproximou não me empurrou. Ouvi um som forte de metal quebrando, um estalo alto que ecoou no quintal, e de repente... o peso insuportável no meu pescoço simplesmente desapareceu.
Uma pessoa se abaixou na lama comigo, e eu senti algo molhado cair no meu focinho — eram as lágrimas dela. Fui enrolado em um casaco grosso que cheirava a segurança e erguido nos braços.
Naquela noite, afundei meu corpo dolorido em um colchão macio. Respirei fundo, fechei os olhos e, pela primeira vez na vida, não tive medo do amanhã.